SAÚDE

Combate ao racismo nas consultas médicas pode salvar vidas

Os negros apresentam maior probabilidade de desenvolver algumas doenças, como, por exemplo, o câncer de próstata, que é mais agressivo em homens negros e traz 2,4 vezes mais chances de levar ao óbito.

Existem demandas específicas na área de saúde que são voltadas para as populações negras. Uma das principais questões é combater o racismo e desigualdades étnico-raciais, para que isso não interfira na atuação dos profissionais de saúde e na qualidade dos serviços prestados no setor.

 

Combate ao racismo nas consultas médicas pode salvar vidas

 

Visando à equidade nessa área, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra1, vigente por meio da Portaria nº 992 desde 2009. Outro destaque é o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, celebrado anualmente em 27 de outubro com o objetivo de conscientizar sobre o tema.

 

Ativistas alertam que o racismo pode prejudicar a saúde da população negra de forma sutil. “Os pacientes negros podem demorar mais para ser atendidos; as consultas acontecem sem contato físico ou diálogo olho no olho”2, afirmou Altair Lira, ativista que é mestre em saúde coletiva e professor da Universidade Federal da Bahia, em reportagem do portal UOL.

 

Além de combater preconceitos, a data comemorativa lança luz sobre questões importantes para a saúde dos negros. De modo geral, alguns problemas são registrados com mais frequência em populações negras, tais quais morbimortalidade materna e infantil, doença falciforme, DST/HIV/aids, tuberculose, hanseníase; câncer de colo uterino e de mama, e transtornos mentais.

 

Em comparação com o público geral dos cidadãos brasileiros, a população negra apresenta mais casos de diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica3. Leia também: Hipertensão é uma doença associada a problemas cardíacos e renais. Por isso, é fundamental investir em saúde para o controle de doenças crônicas, para evitar o sobrepeso ou a obesidade, e monitorar fatores de risco, a fim de evitar a incidência de doenças cardiovasculares e renais. Veja no Blog Bayer: Cuidados com a saúde dos rins também beneficiam o coração

 

É essencial ter a consciência de que os afrodescendentes ficam mais suscetíveis ao desenvolvimento dessas doenças e compreender que existe uma alta probabilidade genética de transmitir essa predisposição aos filhos. A conscientização permite que sejam adotados hábitos saudáveis e medidas preventivas. Os cuidados podem incluir uma rotina de aferição de pressão arterial e controle adequado da glicemia, por exemplo

 

O câncer de próstata também é mais prevalente em indivíduos negros. De acordo com dados do Oncoguia4, os negros apresentam uma probabilidade 60% maior de desenvolver câncer de próstata. Além disso, os pacientes negros com esse tipo de tumor têm 2,4 vezes mais chances de morrer em decorrência da doença. Confira no Blog Bayer: Por que é tão importante falar sobre a saúde do homem?

 

De acordo com o médico urologista Fábio Atz Guino, os tumores tendem a se desenvolver de forma mais agressiva em negros. “Os tumores não são iguais. Eles têm vários graus de diferenciação. O que os registros mostram é que, nos negros, os tumores demoram menos para atingir uma metástase e complicar o quadro de recuperação do paciente. Os negros devem começar a fazer o checkup anual aos 45 anos”5, alertou Guino em notícia do portal G1.

 

Por isso, os homens afrodescendentes devem ficar mais atentos e investir em prevenção. Recomenda-se visitar um urologista, para realizar exames que permitam a detecção do câncer em estágio inicial, o que é indispensável para ter mais chances de sucesso em tratamentos oncológicos6. Leia também: Conscientização sobre saúde masculina ainda é tabu que deve ser quebrado.

 

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