Sua menstruação está saudável? Especialista esclarece oito mitos e verdades relacionados ao ciclo

Dados apontam que tabu e desinformação ainda atrasam a identificação de sinais de alerta e o diagnóstico adequado de condições de saúde

São Paulo, 20 de abril de 2026 - Segundo o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), estima-se que cerca de 1,8 bilhão de pessoas menstruam todos os meses no mundo1. Contudo, apesar de ser um processo biológico natural, a menstruação ainda é cercada por estigmas que atravessam gerações: segundo uma pesquisa realizada pelo UNICEF e pelo UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas) com 1,7 mil pessoas, 62% das jovens que menstruam no Brasil já deixaram de ir à escola ou a outro lugar por estarem menstruadas, e 73% já sentiram constrangimento em escola ou espaço público ao menstruar2.

 

Mesmo com o recente avanço no debate sobre saúde feminina e o maior acesso à informação, especialistas apontam que a falta de embasamento científico de alguns conteúdos pode fomentar esse ciclo de insegurança, informações falsas e minimização de sintomas que podem ser tomados por “normais”. Um levantamento da Ipsos, realizado, a pedido da Bayer, com 800 mulheres brasileiras entre 18 e 60 anos, revelou que 59% recorrem ao ambiente digital como principal fonte de informação sobre saúde — percentual que sobe para 62% entre jovens de 18 a 29 anos. Nesse contexto, 34% buscam informações em sites e fóruns, 15% em grupos de redes sociais e 12% em perfis de influenciadores, evidenciando o impacto dessas plataformas e o risco de exposição a conteúdos equivocados.3

 

Diante desse cenário de desinformação e dúvidas, o Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado em 28 de maio, visa promover informações de qualidade e desmistificar os maiores tabus sobre menstruação. Para contribuir com esse debate, a ginecologista Mariana Viza esclarece os principais mitos e verdades sobre o tema:

  1. Toda menstruação “normal” dura no máximo sete dias
    Mito - A duração do ciclo menstrual pode variar de pessoa para pessoa, sendo o mais comum sangramentos que durem entre três e sete dias. Períodos muito mais longos ou muito intensos devem ser avaliados por um médico para descartar possíveis diagnósticos ginecológicos. O que não é “normal” é ter sangramentos incapacitantes, que interferem na realização de atividades básicas do dia a dia. Inclusive, esta é uma característica de condições ginecológicas como o sangramento uterino anormal (SUA), caracterizado por alterações no volume, duração ou frequência do sangramento menstrual, que comprometem a rotina, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas que menstruam. Em casos de dúvidas, converse com um especialista de confiança para obter diagnóstico e acompanhamento adequados.
  2. Meu fluxo é intenso como o da minha mãe, por isso, preciso aceitar que esse é o normal na minha família
    Mito - Alterações no sangramento menstrual não devem ser consideradas normais nem serem naturalizadas — são sinais de alerta que exigem avaliação médica o quanto antes. Somente um especialista poderá examinar o seu caso e te indicar a melhor solução. Hoje, existe uma gama enorme de métodos contraceptivos que auxiliam no controle do volume da menstruação e podem levar a amenorreia (ausência da menstruação) se for o desejo da paciente, como pílulas hormonais e dispositivos intrauterinos (DIUs) hormonais, que atuam na regulação do ciclo e na redução do fluxo menstrual - sempre com indicação e acompanhamento médico.
  3. Toda menstruação é acompanhada de cólicas e é normal sentir dores fortes durante o período.
    Mito - Cólicas leves podem acontecer, mas dores intensas, incapacitantes ou que interferem na rotina, não. Esses sintomas podem estar associados a condições como a endometriose e o sangramento uterino anormal, por isso, é fundamental buscar avaliação médica para um diagnóstico adequado e orientação de tratamento.
  4. É impossível menstruar estando grávida - esse é o principal sinal de ausência de gravidez
    Verdade -  A menstruação ocorre quando não há fecundação e o corpo elimina o revestimento do útero, preparado para uma possível gestação. Entretanto, sangramentos podem ocorrer durante a gestação e ser confundidos com o período menstrual. Por isso, é fundamental estar atento ao seu ciclo menstrual, que é um importante indicativo de como está a saúde hormonal e reprodutiva. Em casos de dúvidas e alterações, busque orientação médica para realização de um teste de gravidez específico e avaliação de saúde detalhada.
  5. Hábitos saudáveis, como ter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos ajudam a aliviar sintomas menstruais Verdade -  Alimentação saudável e atividade física regular podem ajudar a aliviar sintomas menstruais como cólicas, inchaço e parte do desconforto da TPM, embora a resposta varie de mulher para mulher. Em geral, uma dieta equilibrada, com menos ultraprocessados, somada a exercícios leves ou moderados tende a reduzir a intensidade dos sintomas e melhorar o bem-estar ao longo do ciclo. Entretanto, é importante ficar atenta a sinais de alerta, como dor intensa, sangramento excessivo, desmaios ou sintomas que atrapalhem a rotina e buscar orientação médica.
  6. Aplicativos de monitoramento do ciclo podem ajudar a identificar problemas relacionados à menstruação 
    Verdade - Ao registrar datas, intensidade do fluxo e sintomas ao longo dos meses, é possível identificar padrões, prever períodos de maior fertilidade e até perceber alterações no ciclo com mais facilidade. Essas informações ajudam a reconhecer precocemente irregularidades e fornecem dados mais precisos para a avaliação médica. No entanto, qualquer sinal fora do padrão, como dores intensas, sangramentos muito volumosos, ciclos muito irregulares ou sintomas que impactam a rotina,  deve acender um alerta e ser discutido com um profissional de saúde. Mesmo que essas queixas sejam frequentemente relatadas por amigas ou familiares, não devem ser consideradas normais sem avaliação. O acompanhamento médico é essencial para investigar possíveis causas e garantir o cuidado adequado.
  7. Lavar o cabelo durante o período menstrual faz mal
    Mito - Essa é uma crença popular sem base científica. Lavar o cabelo durante a menstruação não interfere no ciclo nem na saúde. Manter a higiene normalmente, inclusive com banhos regulares, é importante para o bem-estar. Se houver sintomas como tontura ou mal-estar, é importante avaliá-los individualmente com auxílio médico.
  8. Coletor menstrual, absorvente interno e DIUs podem tirar a virgindade Mito - Coletor menstrual, absorvente interno e DIUs podem, em alguns casos, afetar ou romper o hímen, mas isso depende da anatomia de cada pessoa. Entretanto, é importante reforçar que o rompimento ou não do hímen não define a “virgindade” das pessoas, uma vez que este é um conceito social associado à primeira relação sexual. Com a devida orientação médica, todos os produtos podem ser utilizados por pessoas que menstruam, inclusive aquelas que nunca tiveram relação sexual. Em caso de dúvidas ou desconforto, é sempre recomendado procurar um profissional de saúde.

Referências:

  1. UNICEF. Menstrual hygiene. Disponível em: https://www.unicef.org/wash/menstrual-hygiene. Acesso em: 17 abrl. 2026
  2. ONU BRASIL. 62% das jovens que menstruam já deixaram de ir à escola ou a outro lugar por causa da menstruação. [S. l.], 14 jul. 2021. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/136226-62-das-jovens-que-menstruam-j%C3%A1-deixaram-de-ir-%C3%A0-escola-ou-outro-lugar-por-causa-da. Acesso em: 22 abr. 2026.
  3. Ipsos. Pesquisa inédita revela impacto das redes sociais na busca por contracepção no Brasil. Disponível em: https://www.bayer.com.br/pt/midia/pesquisa-inedita-revela-impacto-redes-sociais-busca-contracepcao-brasil . Acesso em: 22 abr.2026

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