PLURAL

Mentoria reversa: a importância das trocas geracionais

Nasci na Polônia, me formei na Alemanha, iniciei minha vida professional no México e há quatro anos e meio vivo no Brasil. As diversas perspectivas e formas de pensar de cada lugar me trouxeram importantes aprendizados e experiências – compartilhar e trocar ideias gera uma visão muito mais ampla sobre os desafios que enfrentamos. A mentoria reversa tem o mesmo estímulo baseado nas trocas geracionais.

Quando me perguntaram se eu toparia participar do programa de mentoria reversa, eu aceitei sem hesitar. Seria uma oportunidade de desenvolvimento e a chance de conhecer outra pessoa interessante dentro da empresa. Como preparação, li um pouco sobre o conceito, e até fiquei na dúvida se, na fronteira da idade (40 anos), eu seria o mentor ou receberia a mentoria. Depois da abertura oficial do programa, ficou claro que a segunda opção iria acontecer.

 

Mentoria reversa

 

A primeira sessão com o meu mentor foi agendada alguns dias depois. Eu estava bem curioso para conhecê-lo e começar a nossa jornada. Já na primeira conversa, tive a impressão de que o meu mentor, Thalys, um engenheiro de 24 anos da fábrica de Belford Roxo (RJ), e eu nos conectamos muito bem. Definimos os temas que gostaríamos de abordar durante as nossas sessões, como pensamento em redes, agilidade, propósito, autonomia, experimentação, flexibilidade, transparência, pensamento crítico e novos modelos de trabalho. Com certeza a grande maioria das pessoas já ouviu essas palavras-chave dentro do contexto das transformações que estão acontecendo não só dentro da nossa empresa, mas em quase todos os lugares – incluindo as nossas vidas particulares.

 

Em cada sessão, abordamos um tema em particular com suporte de vídeos e textos para embasar os nossos debates. Como se pode imaginar, tivemos casos em que as ideias e opiniões eram bem parecidas, mas também iniciamos alguns assuntos de pontos de partida bem distintos. Em ambos os momentos, consegui absorver aprendizados úteis e que me provaram que a idade não importa quando você demostra um interesse genuíno no outro, abrindo espaço para ouvir essa pessoa com empatia e prontidão para aprender. Cada um tem algo para dizer, ensinar e levar você a refletir. Quanto mais diverso o ambiente, mais conseguimos aprender juntos.

 

Tenho como norte, enquanto gestor, a tentativa de incorporar no meu grupo a maior diversidade possível entre os meus colaboradores. Após esse processo de mentoria, isso se intensificou. As diferentes perspectivas que eles trazem me permitem ter uma visão muito mais ampla sobre os desafios que enfrentamos.

 

Estou convencido de que os outros líderes que participaram nessa jornada de mentoria reversa tiveram experiências parecidas. Espero que, depois do fechamento do programa, os líderes consigam manter a escuta atenta aos membros dos seus times, estimulando a troca das ideias. Como consequência, é possível acelerar as transformações dentro da nossa empresa para se chegar cada vez mais próximo da nossa visão: saúde para todos e fome para ninguém.

 

Por fim, gostaria de agradecer o meu mentor pela jornada nos últimos meses, pela excelente preparação das sessões, pela sinceridade e pela abertura nas nossas conversas. Um abraço!

Adalbert Zbigniew ObstojAdalbert Zbigniew Obstoj  nasceu na Polônia e se formou em Economia na Universidade de Bonn, na Alemanha. Atualmente, é Head de Auditoria Interna Brasil/LATAM, e acredita na troca de ideias como uma forma mais ampla de enxergar e enfrentar os desafios.

Tags: mentoria reversa, oportunidade, experiência em diferentes lugares.