PLURAL

As jornadas da mulher na quarentena

Uma reflexão a partir da minha vivência sobre os desafios de ser mulher, profissional e mãe, em tempos de pandemia.

Minha relação com a Bayer começou em 2004, quando entrei por meio de um programa de estágio para compor o time operacional. Dez meses mais tarde, em fevereiro de 2005, fui contratada para a função de Especialista de Unidade em uma das áreas produtivas do site da Bayer Camaçari (BA), setor com predominância masculina. Naquela época, a companhia era uma das pioneiras na inclusão de mulheres na operação, e eu estava muito orgulhosa em fazer parte dessa história. Ingressar numa grande corporação e em uma área historicamente escassa de presença feminina era motivo de comemoração para mim e toda a minha família. 

 

As jornadas da mulher na quarentena

 

Internamente, a companhia possui uma cultura de oportunizar aos seus colaboradores a vivência e experimentação de suas habilidades em uma nova área. Em 2012, pude estagiar no setor de Comunicação, enquanto concluía a graduação em Relações Públicas. Tal envolvimento me proporcionou uma nova conexão com o negócio, e pude desenvolver aptidões ainda não exploradas, que anos mais tarde contribuíram para que eu pudesse fazer parte de outros projetos internos mesmo atuando na área Operacional.

 

Em outubro de 2020, apesar de todo o cenário da pandemia do novo coronavírus, fui surpreendida positivamente pela liderança, com um convite para um Short Term Assignment, de seis meses, na função de Analista de Comunicação e Relacionamento com as Comunidades. Naquele momento, tive um misto de sentimentos: surpresa, alegria, dúvidas e muito medo de não atender às expectativas. Mas, com o coração transbordando de gratidão pelo reconhecimento e a confiança dos meus líderes, assumi o desafio.

 

Vi a minha rotina se transformar completamente. As novas atribuições de nada se assemelhavam às minhas atividades técnicas na operação; passei a trabalhar em horário administrativo e não mais em regime de turno. Naquele período, devido às regras de distanciamento social, o meu filho, João Guilherme, de apenas 7 anos, estava aprendendo a lidar com um novo formato de aprendizado (virtual). Por conta da idade, muitas vezes ele precisa do apoio de um adulto.

 

As jornadas da mulher na quarentena

Enxerguei a oportunidade de estar mais perto do meu filho, afinal, estaria trabalhando no formato home office alguns dias da semana. Com o volume de reuniões inerente à nova função, acabei não acompanhando o seu processo de aprendizado tão de perto. Já estávamos nos aproximando de um ano de isolamento social, quando eu comecei a me questionar sobre o meu papel de mãe. Em meio a esse turbilhão de coisas, acabei me infectando pela Covid-19, e, mesmo com todos os cuidados no convívio familiar, acabei infectando meu marido e filho. Foram as semanas mais angustiante da minha vida nos últimos anos, mas foi o período em que tive a certeza de que faço parte de uma companhia que tem um olhar humanizado para os seus colaboradores. Contei com todo o apoio e suporte da minha liderança, o que sem dúvida contribuiu bastante para o meu processo de recuperação. 

 

Apesar de estarmos vivendo este momento tão sofrido para a humanidade, a pandemia me permitiu ter reflexões e aprendizados que, talvez, com a rotina que vivíamos, eu não teria. Meu papel familiar foi ressignificado. Pude observar a minha importância como mãe e esposa, e isso uniu ainda mais a minha família. Diante do grande número de núcleo familiares destruídos, acometidos por esse vírus, a valorização da vida é uma questão que me tocou bastante, me direcionando a um novo olhar para minhas prioridades e para as pequenas coisas do dia a dia que não observava tanto.

 

O meu desejo é que possamos sair muito mais fortes desse momento desafiador, com o sentimento e a certeza de que precisamos nos manter cada vez mais fortalecidos e unidos com os nossos familiares e amigos.

Isabela LimaOlá, me chamo Isabela Lima, tenho 39 anos, sou casada, mãe do João Guilherme, soteropolitana, nascida e criada no bairro da Liberdade, região periférica que possui uma grande população demográfica negra. Estudei o ensino médio em escola pública, sou formada como Técnica em Eletrotécnica, pelo Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET-BA, e em Comunicação Social com ênfase em Relações Públicas, pela Universidade Salvador – UNIFACS. Atualmente estou concluindo uma pós-graduação em Comunicação Estratégica, pela Universidade Federal da Bahia – UFBA.