02/10/2019

O poder dos hábitos nos genes e o papel masculino

Uma área batizada de epigenética mostra que o ambiente pode interferir na expressão dos genes e imprimir marcas futuras no bebê. Trata-se de um bom motivo para caprichar na nutrição

O professor Eduardo Borges da Fonseca, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), conta que a primeiras observações sobre a influência do ambiente na atividade dos genes vieram do tempo de Charles Darwin (1809 – 1882). Mas foi só a partir de pesquisas realizadas no século XX que os olhos da ciência se voltaram com maior afinco para o tema.

Hoje a aposta de pesquisadores atende pelo nome de epigenética. São as respostas do nosso genoma aos efeitos da atividade física e da alimentação, por exemplo. Tem tudo a ver, portanto, com o conceito dos 1 100 dias, um período decisivo para a saúde do bebê com impacto no futuro.

Para desanuviar um pouco, o professor Eduardo sugere lembrar alguns ensinamentos das aulas de biologia do colégio. Tudo começa quando os gametas do pai e da mãe se encontram. Dessa junção é que surge o DNA do filho.

“Cada uma de nossas células apresenta o mesmo código genético, o que diferencia é a maneira como é feita a leitura, ou seja, o jeito como se dá a expressão gênica”, explica. É graças a essa decodificação que os hepatócitos – as células do fígado – funcionam de maneira totalmente diferente dos neurônios lá no cérebro, por exemplo.

Tudo se passa pela ação de proteínas que são ativadas de acordo com as funções requeridas. Esse processo bioquímico ocorre todos os dias sem parar, e na fase de formação do feto ele é ainda mais acelerado. Daí a oportunidade de intervir de forma benéfica nesse período da vida, assim como nos dois anos seguintes.

Embora, o estresse e fatores como o tabagismo e alcoolismo tenham, digamos, o poder de regular essa atividade, as maiores evidências científicas recaem sobre a força da nutrição. Certos nutrientes e substâncias estão diretamente envolvidos com esses mecanismos moleculares. O ácido fólico é um dos mais estudados.

Fatores ambientais

Sempre que o assunto vem à tona, o epidemiologista inglês David Barker (1938 – 2013) é mencionado. Suas análises observacionais serviram de inspiração para definir a tal epigenética.

“Barker foi um dos primeiros a afirmar que o recém-nascido de baixo peso é um candidato à obesidade com o passar dos anos”, relata Fonseca. Essa tendência se dá porque o organismo aprende a lidar, desde a fase intrauterina, com uma situação de escassez constante. Quando o feto não recebe nutrientes a contento, ele passa a utilizar qualquer ínfimo suprimento como reserva de energia. Ou seja, não desperdiça nada. E esse mecanismo de defesa favorece o acúmulo de quilos extras na infância e repercute com o passar dos anos.

Pesquisas posteriores chegaram para comprovar que aquilo que acontece no útero pode perdurar por toda a vida. A desnutrição na gravidez também parece tem um elo com a hipertensão nos filhos.

É um excelente incentivo para adotar um estilo de vida saudável ainda no planejamento da gravidez.

Não basta ser pai...

O futuro papai também pode se valer de atitudes mais saudáveis quando o plano é aumentar a família. Pra começar, estudos mostram que munir-se de um bom aporte de nutrientes favorece a fertilidade. O zinco é um dos principais integrantes nesse contexto. Sua deficiência afeta as taxas de testosterona. Há indícios de que a suplementação favoreça a contagem de espermatozoides. A sinergia com outros nutrientes, caso da vitamina E e do selênio reforça ainda mais essa atuação.

Para os homens, o ácido fólico também pode fazer toda a diferença, é fundamental para a espermatogênese e, de quebra, contribui para a integridade do material genético.

Vale ainda perder os quilinhos extras. Existem evidências – com modelos animais – de que a obesidade paterna no momento da concepção esteja associada à disfunção metabólica dos descendentes. Significa que se o pai está muito acima do peso, seus filhos têm maior predisposição à resistência à insulina, um desajuste que contribui para o diabete.

Por tudo isso, ele também deve se cuidar.

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Sobre a Bayer

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